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LINHAS PROGRAMÁTICAS
I. APRESENTAÇÃO
Nos termos do artº 49º dos
Estatutos da Universidade do Minho, o Senado Académico cumpre
funções de coordenação, prospectiva e planeamento em matérias
pedagógicas e científicas que ultrapassem o âmbito das unidades
orgânicas. Para tal, são-lhe atribuídos um conjunto de
competências, fundamentalmente de cariz consultivo, incidindo sobre
os planos estratégicos e de actividades e as linhas gerais de
orientação da Universidade, e outras matérias que lhe sejam
apresentadas pelo Conselho Geral ou pelo Reitor.
Para cumprir as suas funções, o
Senado Académico é constituído fundamentalmente por membros a
designar por inerência das funções que desempenham noutras
estruturas da Universidade (unidades orgânicas, maioritariamente),
sendo que apenas 8 elementos são eleitos pelos seus pares (3
representantes dos docentes e investigadores, 3 representantes dos
estudantes, 2 representantes do funcionários não docentes e não
investigadores). Apesar do carácter flagrantemente minoritário
destes membros eleitos no contexto do corpo de membros do Senado
(cerca de um sexto), é de grande importância este tipo de
representação. De facto, cumprindo ao Senado assegurar a coesão da
Universidade na prossecução da sua missão, a presença dos
representantes dos corpos permite levar a este orgão consultivo,
temas e formas de sentir a Universidade que, de outra forma,
dificilmente teriam voz.
Neste contexto, o movimento
“Universidade do Minho: Novos Desafios, Novos Rumos”
decidiu avançar com uma candidatura aos 3
lugares de representação dos docentes e investigadores, no Senado
Académico. Não havendo lugar à apresentação de um programa de acção,
pois tal não faria sentido dado o carácter meramente consultivo do
orgão e a natureza minoritária de cada corpo de representantes,
haverá contudo que estabelecer algumas linhas que nortearão a
actuação dos que forem eleitos através desta propositura.
II. princípios
Assim, os nossos eleitos
pautarão a sua actuação no Senado pelos seguintes princípios:
-
Ser a voz dos
que têm menos voz
Os problemas que afligem a
comunidade de docentes e de investigadores da UM, são de variada
ordem, mas vastos. Desde as legítimas preocupações com a
estabilidade do emprego e da remuneração
, até às dificuldades vivenciadas por efeito de
uma organização excessivamente burocrática e centralizada, passando
pelas questões levantadas pelo acesso e progressão na carreira e
pela qualidade de vida nos campii, muitas são as questões que devem
ser debatidas e decididas em contexto de planeamento e análise
estratégica da Universidade. De facto, planeamento e análise
estratégica, por muito bons que sejam, terão de ser obrigatoriamente
implementados por pessoas, pelo que importa que a voz das pessoas
seja efectivamente ouvida na construção do seu futuro. Por isso,
comprometem-se os eleitos por esta lista a trazer à comunidade de
docentes e investigadores os temas a debate no Senado e a levar à
discussão naquele orgão temas concretos relevantes que lhe sejam
apresentados pelos colegas;
-
Exigência de
informação
Existe, na nossa opinião, algum
déficit de informação, lamentavelmente institucionalizado na
Universidade do Minho. Entendemos que todos têm direito a conhecer
não apenas os conteúdos dos despachos reitorais, mas também e
fundamentalmente os dados importantes das principais questões que
afectam o funcionamento da Institução. Como por exemplo, orçamentos
e sua execução, relatórios de actividades e de contas, relatórios de
avaliação interna e externa, planos estratégicos, tudo com um grau
de detalhe e de qualidade informativa que permita a qualquer um
escrutinar a gestão da Universidade e dar os seus contributos para
esse fim;
-
Por uma
descentralização crescente
Nos últimos anos assistímos a
um grande retrocesso no processo de descentralização que, timida mas
gradualmente, estava a ser levado a cabo. O poder está pouco
descentralizado. E a natureza dos Estatutos e dos diversos orgãos
criados, não permitirá, por si só, garantir um exercício de poder
mais participado. Os nossos eleitos tentarão assim orientar a
gestão da Universidade no sentido de uma maior descentralização e
crescente participação colectiva nas decisões.
4. Colocar a Universidade ao
serviço da sociedade
A Universidade justifica-se
pela utilidade que tem para a sociedade. Desta forma, importa
aproximar a Universidade da sociedade, pelos diversos mecanismos
existentes e nas várias vertentes: técnica, social e cultural. Os
nossos eleitos contribuirão com sugestões e propostas concretas que
permitam uma aproximação forte e consolidada entre a Universidade e
a sociedade. A todos os níveis, estimulando também a participação e
iniciativa individual, por forma a que, cada vez mais, a estratégia
de actuação da Universidade seja sentida como também sua, pela
sociedade envolvente.
5.
Responsabilidade
A gestão de uma instituição
rege-se pelo princípio da responsabilidade. Isto é, os seus actores
devem responder pelos seus actos, nomeadamente perante quem
representam. Por isso, os nossos eleitos responderão perante os
doutores e investigadores, pelas posições que assumirem no Senado
Académico. O que vale por dizer, que assumirão, de forma dedicada, a
responsabilidade que lhes for confiada, contribuindo sempre no
sentido da melhoria do funcionamento e do desempenho da Universidade
do Minho no seu todo.
Assumidos os princípios que os
eleitos pela nossa lista seguirão, importa referir agora algumas
ideias concretas quanto a algumas das principais competências do
Senado Académico.
iii. competências e missão
-
Assegurar a
coesão da Universidade
Sendo esta uma das funções
estatutariamente definidas para o Senado, importa que ele
efectivamente constitua um garante da coesão da Universidade. Por
isso, vemos como essencial assegurar que o modus operandi dos
orgãos de gestão da Universidade, nos vários patamares
organizativos, seja conforme com uma gestão que promova a
participação dos agentes e a sustentabilidade da instituição, a
diversos níveis: financeiro, social e dos projectos de ensino,
investigação e ligação à sociedade. Só assim a Universidade poderá
continuar a actuar, de forma consolidada, no sentido de cumprir a
sua missão e estratégia, articulando, de forma ágil, a actuação dos
orgãos superiores de gestão, com as unidades e sub-unidades. E isto,
sem prejuizo da saudável diversidade e autonomia que deve sempre
existir entre os vários orgãos da instituição;
-
Análise
estratégica
A análise estratégica da
Universidade, da sua oferta educativa e da actividade científica e
de interacção com a sociedade deve ser orientada pelo sentido de
missão que a Universidade deve ter de que existe para servir a
sociedade. Por isso, importa que a oferta educativa atente às
necessidades reais do mercado, que a investigação seja dirigida
preferencialmente à resolução de problemas concretos
e que a interacção com a sociedade seja
suportada em princípios de reciprocidade.
-
Relato anual de
actividades, orçamento e contas
A planificação orçamental e a
sua posterior execução, são matérias de grande importância para o
funcionamento regular e estável da instituição. Por isso, o Senado
deve, nos termos das suas atribuições, dar-lhe grande atenção.
Sugerindo alterações, quando oportuno, contribuindo, de facto, para
a orientação estratégica da Universidade também nesta vertente. A
sustentação financeira da Universidade carece de uma planificação de
médio e longo prazo que permita garantir que situações de grande
dificuldade como as vividas nos últimos anos, não ocorram de forma
tão recorrente. Para isso, há que equacionar estratégias de captação
de recursos que sejam efectivas. Entendemos que não faz mais sentido
continuar a sustentar a instituição e o seu desenvolvimento
estratégico exclusivamente no financiamento público, havendo a
obrigação de sermos imaginativos, inovadores e, sobretudo, não nos
deixarmos vergar pelo pessimismo ou pelo derrotismo.
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